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Dicas técnicas

Queda de tensão no motor elétrico: efeitos, cálculo e prevenção

Queda de tensão no motor elétrico reduz o torque, aumenta a corrente e aquece o enrolamento. Veja como calcular, medir e evitar o problema na instalação.

Por Equipe técnica Colombo Motores · Publicado em · 5 min de leitura

Quadro elétrico de comando com disjuntores e cabos de alimentação

A queda de tensão no motor elétrico é um daqueles problemas que não aparecem na hora da instalação, mas cobram a conta meses depois: motor quente, partida lenta, proteção desarmando e, no fim, enrolamento queimado. Ela acontece quando a tensão que chega aos terminais do motor é menor que a nominal, quase sempre por cabos longos ou finos demais, conexões ruins ou rede sobrecarregada. Entender o efeito no motor ajuda a corrigir a causa, e não só o sintoma.

O que é queda de tensão no motor elétrico?

Queda de tensão no motor elétrico é a diferença entre a tensão disponível na origem do circuito e a tensão que efetivamente chega aos terminais do motor. Ela é causada pela resistência dos cabos, conexões e dispositivos de manobra, e cresce com a corrente e com o comprimento do circuito.

Todo condutor tem resistência. Quando a corrente passa, parte da tensão fica pelo caminho e vira calor. Em circuitos curtos e bem dimensionados, essa perda é pequena. Em bombas de poço, motores de chácara, galpões extensos e máquinas ligadas por extensões improvisadas, ela pode ficar grande o suficiente para prejudicar o funcionamento.

As causas mais frequentes são:

  • Cabo subdimensionado para a corrente e a distância.
  • Conexões frouxas ou oxidadas em bornes, disjuntores e contatores.
  • Contatos gastos em chaves de partida e contatores.
  • Rede sobrecarregada ou transformador no limite.
  • Partida direta de motores grandes em redes fracas.

Quais efeitos a queda de tensão causa no motor?

No motor de indução, o torque varia aproximadamente com o quadrado da tensão. Com 90% da tensão nominal, o torque disponível cai para cerca de 81%. Para continuar movendo a mesma carga, o motor escorrega mais, puxa mais corrente e aquece acima do previsto, o que reduz a vida útil do isolamento.

Efeito O que acontece Consequência
Torque menor Torque cai com o quadrado da tensão Partida lenta ou motor que não parte
Corrente maior Motor compensa a falta de tensão com mais corrente Aquecimento e desarmes do relé térmico
Rotação menor Escorregamento aumenta Bomba entrega menos vazão, máquina perde produção
Aquecimento Perdas no cobre crescem com o quadrado da corrente Envelhecimento do verniz e queima do enrolamento
Contatores sofrendo Bobinas de comando com tensão baixa vibram Contatos faiscando e desgaste precoce

As normas de motores de indução, como a ABNT NBR 17094, admitem que o motor opere com pequena variação de tensão em relação à nominal, mas com aquecimento maior quando se afasta dela. Trabalhar no limite o tempo todo encurta a vida do motor. Um sintoma clássico é o motor que esquenta sem estar sobrecarregado; o artigo sobre motor elétrico esquentando traz outras causas que vale descartar.

Como calcular a queda de tensão em um circuito de motor?

Para um motor trifásico, a queda de tensão pode ser estimada por ΔV ≈ √3 × I × R × L × cos φ, desprezando a reatância em cabos de seção pequena. I é a corrente do motor, R a resistência do cabo por metro, L o comprimento e cos φ o fator de potência. Divida o resultado pela tensão para obter a porcentagem.

Exemplo prático: motor trifásico de 5 cv em 220 V, com corrente de cerca de 14 A e fator de potência 0,85, a 80 m do quadro, com cabo de cobre de 2,5 mm².

  1. Resistência do cabo: 0,0172 Ω·mm²/m × 80 m ÷ 2,5 mm² ≈ 0,55 Ω por condutor.
  2. Queda: 1,732 × 14 × 0,55 × 0,85 ≈ 11,3 V.
  3. Porcentagem: 11,3 ÷ 220 ≈ 5,1%.

O valor já passa da referência usual para circuitos terminais. Trocando para cabo de 6 mm², a resistência cai para cerca de 0,23 Ω e a queda fica perto de 2,1%. Na partida direta, quando a corrente chega a seis ou oito vezes a nominal, a queda momentânea se multiplica na mesma proporção.

A NBR 5410, publicada pela ABNT, estabelece os limites de queda de tensão em instalações de baixa tensão e deve ser seguida por um profissional habilitado no dimensionamento dos cabos.

Técnico medindo grandezas elétricas de um motor com instrumento

Como medir a queda de tensão na prática?

Para medir a queda de tensão no motor, use um multímetro ou alicate com função de tensão e leia, com o motor em carga, a tensão no quadro de origem e nos terminais do motor. A diferença entre as duas leituras mostra quanto se perde no caminho. Repita durante a partida.

Cuidados na medição:

  • Meça entre fases nos motores trifásicos e compare as três leituras; diferença entre elas indica desequilíbrio ou conexão ruim.
  • Meça em carga, porque sem carga a corrente é pequena e a queda parece desprezível.
  • Observe a partida: se a tensão afunda muito, a aceleração fica lenta.
  • Use proteção adequada e trabalhe só com profissional qualificado em quadros energizados.

Se uma das fases ficar muito abaixo das outras, a suspeita passa a ser contato ruim ou falta de fase intermitente. O artigo sobre falta de fase em motor trifásico explica como identificar e proteger o motor nesse caso.

Como evitar a queda de tensão no motor elétrico?

Evita-se a queda de tensão no motor elétrico dimensionando os cabos pela corrente e pela distância, mantendo conexões firmes e limpas, revisando contatores e usando partida suave ou inversor em motores grandes. Em redes fracas, aproximar o quadro do motor ou elevar a tensão de alimentação também ajuda.

Medidas mais eficazes:

  1. Dimensione o cabo pela capacidade de corrente e pela queda de tensão, não só pela corrente.
  2. Reaperte bornes e terminais periodicamente; o aquecimento afrouxa conexões.
  3. Revise o comando: contatos gastos na caixa de comando geram queda e desequilíbrio entre fases.
  4. Reduza o impacto da partida com soft-starter, partida estrela-triângulo ou inversor, conforme o caso.
  5. Considere 380 V quando houver opção: para a mesma potência, a corrente é menor e a queda também.

Incluir medições de tensão e corrente no plano de manutenção preventiva permite perceber o problema antes que ele queime o enrolamento. A eficiência energética de motores e instalações também é tema de programas acompanhados pelo Ministério de Minas e Energia.

O motor já foi afetado: e agora?

Se o motor trabalhou com tensão baixa por muito tempo, vale fazer uma avaliação antes de religar no circuito corrigido. Testes de isolação e resistência mostram se o enrolamento envelheceu, e a inspeção dos rolamentos indica se o aquecimento comprometeu a graxa. Corrigir só a instalação não recupera um isolamento danificado.

O serviço de conserto de motores elétricos da Colombo Motores avalia o motor com testes elétricos, recupera ou rebobina quando necessário e entrega com garantia do serviço.

Seu motor está esquentando, demorando a partir ou desarmando a proteção? Traga-o à loja da Colombo Motores Elétricos em Taguatinga, de segunda a sexta, das 08h às 18h, ou fale com a equipe pelo WhatsApp (61) 99966-9373. Outros canais estão na página de contato.

Perguntas frequentes

O que acontece com o motor quando a tensão cai?

O torque do motor de indução cai aproximadamente com o quadrado da tensão. Para manter a carga, ele puxa mais corrente, escorrega mais e aquece. Com o tempo, o calor envelhece o isolamento e pode queimar o enrolamento.

Qual queda de tensão é aceitável na instalação?

A NBR 5410 limita a queda de tensão nas instalações de baixa tensão, com valores da ordem de 4% nos circuitos terminais. Na partida de motores, admite-se queda maior por curto período, desde que o motor consiga partir.

Como medir a queda de tensão no motor?

Meça a tensão no quadro e nos terminais do motor ao mesmo tempo, com o motor em carga. A diferença entre as duas leituras é a queda no cabo. Repita a medição durante a partida para ver o afundamento.

Cabo fino pode queimar o motor?

Pode contribuir. Cabo subdimensionado para a distância e a corrente provoca queda de tensão, que aumenta a corrente do motor e o aquecimento. Além disso, o próprio cabo esquenta e desperdiça energia.

Motor demorando para partir pode ser queda de tensão?

Sim. Na partida, o motor puxa várias vezes a corrente nominal, e a queda de tensão no cabo fica muito maior. Se o torque de partida cair abaixo do exigido pela carga, a aceleração fica lenta ou o motor não parte.

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